SOME DAYS ARE BIGGER THAN OTHERS

Volto em breve...
















sexta-feira, 4 de setembro de 2009

As receitas manhosas que aparecem no Google

Como acordei muito bem-disposta, sem saber bem porquê, tive a brilhante ideia de congratular os meus entes mais próximos com um daqueles bolos de maçã de comer e chorar por mais. O primeiro passo seria procurar neste mundo virtual uma receita simples, fácil e rápida. A tarefa complicou-se logo aí ao ler instruções em brasileiro e medidas um tanto ou quanto descabidas. "Se é para fazer um bom bolo, então a receita terá de estar escrita em português de Portugal!" Afirmei convictamente para os meus botões. Deu-se uma segunda pesquisa - desta vez muito mais refinada - e, claro está, cheguei à receita que procurava.

Fui até à cozinha, segui os passos que eram sugeridos, barrei a forma, liguei o forno preto e dez minutos depois aquela massa amarela bombardeada com pedaços de maçã estava pronta a ser cozinhada à temperatura do Inferno. Regressei à sala, onde o meu bicho metálico (mais conhecido por portátil) esperava por mim.

Uns vinte minutos depois, pairava um cheiro a queimado no ar. Corro até ao forno e verifico que a parte de cima do bolo está queimada e o interior continua líquido! "Se baixar a temperatura do forno, talvez isto melhor..." Qual é a parte do bolo já estar queimado que eu não percebi?? Ao que parece, isso não foi um inconveniente para mim. Carreguei insistentemente no botão que liga o forno até aparecer a chama, fechei a porta e esperei mais dez minutos. Aquela bola de massa amarela transformou-se em cimento para as obras. Irritada deitei tudo fora com a certeza que tão cedo não faço bolos de maçã...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

My sister's keeper

My Sister's Keeper Trailer from Anouk Olijve on Vimeo.


E chorei...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

E começa tudo outra vez

Passando Setembro a governar os próximos dias, as férias dão-se por finalizadas?

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

What's next?

Depois do sopro, da sombra e do deserto, fico-me pelo Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez. Sugestões para o próximo livro?

Elogio ao amor puro

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro.

Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".

O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.

O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra."

Miguel Esteves Cardoso

A cidade está deserta e alguém escreveu o teu nome em toda a parte

Caramba, estou farta de ver a palavra amor espalhada por todo o lado. Só por isso, o próximo post é um "elogio ao amor puro".

Hoje, o dia é só teu

Torna-o inesquecível.
Partilha com quem te dá sorrisos.
Comete loucuras.
Ri sem parar.
Acorda tarde. Deita-te ainda mais tarde.
Faz o que quiseres.
Porque afinal de contas, hoje é o teu dia. E mais nada importa.
Sê admiravelmente feliz!

Parabéns, my special friend :)

domingo, 30 de agosto de 2009

Possivelmente, O livro do meu Verão


Numa noite perdida de Julho, a ausência de sono incentivou-me a pernoitar no chat do Gmail por longas e avançadas horas. O meu gosto descomedido pela conversa não respeita horários nem obrigações, e devendo eu ficar chateada com tal vontade própria não consigo resistir aos momentos de descontracção, sorrisos e lágrimas que ele me proporciona. A descoberta de temas olvidados, a partilha de perspectivas ou a discussão de opiniões prendem-me invariavelmente ao ecrã.

Nessa noite perdida de Julho, falámos de livros. Tu, mais culto e detentor de uma lista invejável de obras lidas, descreveste-me a Sombra do Vento - livro que ocupa um dos lugares cimeiros do teu top pessoal - somente como "D-E-L-I-C-I-O-S-O". Agradeci a sugestão sem estar convicta da monstruosidade do livro. Como te cheguei a comentar mais tarde, o raio do livro está invejavelmente bem escrito! A história imponente e escrita daquele modo primoroso chega a cativar, bem como os protagonistas que despontam em nós admiração ou ódio com a sua personalidade tão única, peculiar e carismática. E depois há Barcelona. Oh Barcelona! Cidade que eu ainda não conheço, mas que adoraria visitar muito em breve. No fim de tudo impõe-se que se pense na misticidade dos livros que nos passam pelas mãos.

Por tudo isto, percam o tempo que for necessário mas leiam A Sombra do Vento. Fiquei rendida!

O silêncio

"A maior parte do tempo, porém, o que nós partilhávamos era o silêncio. E isso eu aprendi contigo, porque não sabia. Para mim, o silêncio era sinal de distância, de mal-estar, de desentendimento. Ao princípio, quando ficávamos calados muito tempo, eu sentia-me inquieta, desconfortável, e começava a falar só para afastar esse anjo mau que estava a passar entre nós.

Um dia tu disseste-me:

- Cláudia, não precisas de falar só porque vamos calados. A coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio."

No teu deserto, Miguel Sousa Tavares

sábado, 29 de agosto de 2009

Sueño

... abrázame esta noche.